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No Casamento da Filha, Ele Descobriu o Plano Para Matá-lo por Dinheiro-naomi

Parte 3: Octavio foi ao casamento sabendo que o noivo de sua filha havia colocado um preço em sua vida.

Octavio voltou a se abaixar sob o cobertor, embora cada parte de seu corpo exigisse que ele saísse dali imediatamente.

Dentro do apartamento, Sebastián baixou a voz.

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— Devo quase 40 milhões de pesos. Se eu não pagar, Baltazar Córdova vai acabar comigo.

Lorena demorou alguns segundos para responder.

— E o que Camila tem a ver com isso?

— Tudo. Depois que eu me casar, terei acesso ao patrimônio dos Zambrano. Ela confia em mim.

Aquelas palavras mudaram tudo para Octavio. Já não se tratava apenas de uma vida dupla ou de uma traição que destruiria Camila emocionalmente. Sebastián pretendia usar o casamento para chegar ao dinheiro da família.

Então veio a frase que fez Octavio parar de respirar por um instante.

— 3 meses depois, o pai dela sofrerá um acidente. Já dei o sinal.

Lorena soltou um suspiro assustado.

— Você está louco?

— O serviço custa 4,5 milhões. Quando o velho morrer, Camila ficará destruída. Eu estarei lá para ajudá-la a vender ações, assinar empréstimos e tirar o dinheiro.

Sob aquele cobertor, Octavio finalmente entendeu por que Julián havia arriscado tudo para levá-lo até ali.

O futuro marido de sua filha não estava apenas mentindo para ela.

Tinha colocado um preço na vida de seu pai.

E, enquanto mais de 200 pessoas esperavam pela cerimônia sem desconfiar de nada, Octavio tomou uma decisão: ele iria ao casamento.

Mas não para entregar Camila no altar como todos esperavam.

Alguns minutos depois, Sebastián saiu do prédio com a mesma tranquilidade com que havia entrado, ajeitou o paletó antes de abrir a porta do carro e voltou a ocupar o banco dianteiro como se sua maior preocupação naquele dia fosse chegar à cerimônia sem amassar a roupa.

Octavio permaneceu imóvel sob o cobertor.

Durante o trajeto, Sebastián voltou a falar com Camila pelo celular, perguntou se ela havia comido alguma coisa e prometeu que nunca permitiria que ninguém a machucasse.

Cada palavra atingia Octavio de um jeito diferente agora, porque ele acabara de ouvir aquele mesmo homem calcular quanto custaria transformar sua morte em um acidente.

Quando chegaram à chácara, Julián estacionou perto da entrada reservada aos familiares, e Sebastián desceu sem perceber que o homem que pretendia eliminar havia viajado a poucos centímetros de distância durante todo o caminho.

Antes de fechar a porta, ele ainda se inclinou para Julián.

— Depois da cerimônia, não preciso do carro. Vou embora com Camila.

— Entendido — respondeu o motorista.

Só depois que Sebastián desapareceu pelo corredor lateral é que Julián levantou o cobertor.

Octavio demorou alguns segundos para se sentar.

Seu rosto estava vermelho, as mãos trêmulas, mas sua primeira ordem não foi para procurar segurança nem para interromper a festa.

— Volte ao prédio.

Julián o encarou pelo retrovisor.

— O senhor quer falar com Lorena?

— Quero ouvir da boca dela o que ela sabe antes de colocar minha filha diante disso.

Era uma decisão difícil porque o relógio corria contra eles, mas Octavio sabia que havia uma diferença enorme entre chegar diante de Camila com uma acusação desesperada e chegar com fatos que ela pudesse enfrentar sem depender apenas da palavra do próprio pai.

Julián deu a volta com o carro.

No caminho, Octavio finalmente perguntou o que vinha tentando entender desde que entrara debaixo daquele cobertor.

— Como você descobriu?

Julián apertou o volante.

Na noite anterior, Sebastián lhe pedira que estivesse disponível mais cedo porque precisava fazer uma parada antes do casamento, e insistira para que Octavio não soubesse do endereço.

Não era um pedido totalmente incomum, mas Julián conhecia Sebastián havia tempo suficiente para perceber a diferença entre privacidade e medo de ser descoberto.

Naquela manhã, quando foi abastecer o carro, viu Sebastián discutindo ao celular do lado de fora da chácara e ouviu apenas duas frases: ele mencionou três meses e mandou alguém não fazer nada antes do casamento.

Julián não sabia sobre Lorena, não sabia sobre a menina e muito menos sobre os 4,5 milhões.

Sabia apenas que alguma coisa estava errada e que, se confrontasse Sebastián diretamente, poderia perder a única chance de descobrir o que ele escondia.

Por isso procurara Octavio.

— Elena me pediu para cuidar de vocês — disse Julián. — Hoje eu não sabia exatamente do que precisava proteger o senhor. Só sabia que não podia ignorar aquilo.

Octavio não respondeu.

Dessa vez, a lembrança da esposa não trouxe conforto, mas responsabilidade.

Quando chegaram novamente ao prédio em Mitras, Lorena abriu a porta apenas alguns centímetros e empalideceu ao ver Octavio do outro lado.

Ela soube imediatamente quem ele era.

— Sebastián já foi embora — disse, tentando fechar.

Octavio colocou a mão na porta, sem empurrá-la.

— Eu sei. Estive no carro em frente à sua janela.

Lorena parou.

Octavio não precisou repetir a conversa inteira.

Bastou mencionar os 40 milhões, os três meses e os 4,5 milhões.

A mulher soltou a maçaneta como se tivesse perdido a força nos dedos.

— O senhor ouviu tudo?

— Ouvi o suficiente para saber que minha filha não pode se casar sem conhecer a verdade.

Lorena olhou para dentro do apartamento, onde a menina brincava no chão sem compreender o que estava acontecendo.

Ela confirmou que era casada com Sebastián havia 6 anos e que a criança era filha dele, mas insistiu que até aquela manhã acreditava que as histórias sobre dinheiro não passavam de promessas desesperadas de um homem endividado.

Sebastián vinha dizendo havia meses que resolveria todos os problemas depois de fechar um grande negócio e que, quando isso acontecesse, eles poderiam começar uma vida diferente.

Lorena sabia que existia outra mulher.

O que não sabia, até descobrir os preparativos do casamento, era que a outra mulher era Camila Zambrano e que Sebastián pretendia realmente se casar com ela enquanto continuava vivendo uma segunda vida.

— Por que a senhora não avisou minha filha? — perguntou Octavio.

A pergunta doeu mais em Lorena do que uma acusação.

Ela admitiu que teve medo.

Medo de Sebastián desaparecer, medo das dívidas, medo de ficar sozinha com a filha e, depois daquela conversa sobre Baltazar Córdova, medo de descobrir que os problemas do marido eram maiores do que ela conseguia compreender.

Octavio poderia ter atacado Lorena naquele momento, mas percebeu que ela também estava presa dentro das mentiras de Sebastián, embora tivesse feito escolhas que agora precisava enfrentar.

Então fez apenas um pedido.

— Eu vou contar tudo a Camila. A senhora decide se vai continuar escondida ou se vai dizer a verdade olhando para ela.

Ele escreveu o endereço da chácara e o horário aproximado da cerimônia em um pedaço de papel que havia no carro e o deixou sobre a pequena mesa perto da porta.

Lorena não prometeu aparecer.

Octavio também não insistiu.

Quando voltou à chácara, faltava menos de uma hora para o casamento.

Do lado de fora, os convidados tiravam fotos, funcionários terminavam os últimos detalhes e parentes procuravam Octavio porque ninguém entendia por que o pai da noiva havia desaparecido justamente naquela manhã.

Camila estava em um quarto reservado, já vestida, segurando um pequeno buquê enquanto duas pessoas ajeitavam os últimos detalhes de seu cabelo.

Quando viu o pai entrar, sorriu primeiro.

Depois percebeu seu rosto.

— Pai, o que aconteceu?

Octavio pediu que todos os outros saíssem.

Camila tentou brincar, perguntando se ele finalmente havia ficado nervoso com a ideia de entregá-la no altar, mas ele não conseguiu acompanhar o sorriso.

— Eu preciso que você escute até o fim.

Foi quando Camila entendeu que aquilo não tinha relação com nervosismo.

Octavio começou pela parte que podia ser confirmada imediatamente.

Disse que Sebastián tinha uma filha.

Camila franziu a testa.

Depois ele disse o nome Lorena.

O rosto dela mudou.

— Quem é Lorena?

— A mulher com quem ele vive. Ela diz que é esposa dele há 6 anos.

Camila ficou alguns segundos olhando para o pai como se esperasse que ele corrigisse a própria frase.

Quando a correção não veio, ela se sentou.

Octavio contou onde estivera, explicou por que se escondera no carro e repetiu apenas o essencial da conversa, incluindo a dívida de quase 40 milhões de pesos e o plano previsto para três meses depois do casamento.

Quando mencionou o acidente, Camila se levantou de novo.

— Não.

Não era uma defesa de Sebastián.

Era o corpo dela rejeitando uma realidade grande demais para caber naquela manhã.

— Você ouviu isso mesmo?

— Eu ouvi.

— E Julián também?

— Sim.

Camila andou até a janela, ainda segurando o buquê.

Havia mais de 200 pessoas ali fora esperando que ela surgisse sorrindo.

Durante quase 1 ano, ela havia escolhido flores, convidados, música, comida e cada detalhe daquele dia, enquanto o homem com quem pretendia se casar escondia uma esposa, uma filha e um plano para usar sua confiança contra o próprio pai.

Ela poderia ter mandado cancelar tudo naquele instante.

Mas fez outra coisa.

— Traga Sebastián aqui.

Octavio hesitou.

— Camila…

— Se eu sair dessa sala sem ouvi-lo responder, vou passar o resto da vida imaginando qual parte era verdade e qual parte ele conseguiria distorcer depois.

Julián encontrou Sebastián perto da área da cerimônia e avisou apenas que Camila queria vê-lo antes de começar.

Ele entrou no quarto sorrindo.

— Dizem que dá azar ver a noiva antes…

O sorriso desapareceu quando viu Octavio.

Camila não lhe deu tempo para perguntar nada.

— Quem é Lorena?

Sebastián olhou primeiro para ela e depois para Octavio.

Foi um movimento pequeno, mas Camila percebeu.

— Uma pessoa do meu passado.

— Você tem uma filha?

Dessa vez ele demorou demais.

— Tenho.

Camila apertou os dedos ao redor das flores.

— E você achou que isso não precisava ser mencionado antes do nosso casamento?

Sebastián tentou se aproximar.

Ela recuou.

Então ele mudou de estratégia.

Disse que Lorena era uma relação encerrada, que a filha sempre faria parte de sua vida e que pretendia contar tudo depois da cerimônia, quando Camila estivesse mais tranquila.

Octavio ouviu até o fim.

— Ela diz que vocês continuam casados.

Sebastián virou-se para ele.

— O senhor esteve falando com ela?

A irritação em sua voz respondeu antes das palavras.

Octavio contou que havia ouvido a conversa pela janela.

Sebastián ficou imóvel.

Por um instante, Camila pareceu esperar que ele negasse tudo com facilidade.

Em vez disso, ele atacou Julián.

Disse que o motorista sempre fora excessivamente protetor com a família, que devia ter interpretado frases fora de contexto e que Octavio, ainda marcado pela morte de Elena, estava deixando o medo destruir o casamento da filha.

A tentativa atingiu exatamente onde Sebastián queria.

Camila olhou para o pai.

Octavio sentiu a tentação de levantar a voz, de exigir que ela acreditasse nele depois de tudo o que haviam vivido juntos.

Mas não fez isso.

— Você não precisa escolher entre a palavra dele e a minha — disse. — Você só precisa decidir se quer se casar hoje sem saber toda a verdade.

A frase retirou de Sebastián a vantagem que ele procurava.

Octavio não estava ordenando que Camila cancelasse o casamento.

Estava devolvendo a decisão a ela.

Camila colocou o buquê sobre uma cadeira.

— A cerimônia não começa enquanto isso não estiver esclarecido.

Sebastián tentou convencê-la a conversar depois, argumentando que centenas de pessoas já estavam esperando e que interromper tudo criaria um escândalo impossível de desfazer.

Foi a palavra escândalo que mudou alguma coisa no rosto de Camila.

— Você está preocupado com o que eles vão pensar e eu acabei de descobrir que você escondeu uma filha de mim.

Ele respondeu que estava preocupado com ela.

Camila perguntou então por que um homem preocupado com ela precisava esperar três meses depois do casamento para fazer alguma coisa relacionada ao pai dela.

Sebastián encarou Octavio.

— O que exatamente o senhor contou?

— Tudo o que ouvi.

Pela primeira vez, Sebastián perdeu o controle da expressão.

Ele disse que a conversa havia sido mal interpretada, que os 40 milhões eram uma dívida empresarial e que os 4,5 milhões se referiam a outro acordo.

— E o acidente do meu pai? — perguntou Camila.

— Eu nunca faria isso.

— Então por que você falou que aconteceria três meses depois?

Sebastián abriu a boca, mas alguém bateu à porta antes que respondesse.

Julián estava do lado de fora.

E atrás dele estava Lorena.

A menina segurava a mão da mãe.

Sebastián ficou pálido ao vê-las.

— O que você está fazendo aqui?

Lorena não respondeu a ele.

Olhou para Camila.

— Eu vim porque você merece saber quem ele é antes de decidir qualquer coisa.

A menina reconheceu Sebastián imediatamente.

— Papai.

Nenhuma explicação poderia apagar aquela palavra.

Camila olhou da criança para o homem que, menos de uma hora antes, deveria se tornar seu marido.

— Você disse que Lorena era uma pessoa do seu passado.

Sebastián passou a mão pelo rosto.

— Isso é complicado.

— Não. Complicado é escolher a música de um casamento. Isso aqui é uma mentira.

Lorena confirmou que continuavam vivendo como casal e que Sebastián passara a manhã naquele apartamento antes de seguir para a cerimônia.

Quando Camila perguntou diretamente sobre os três meses, Lorena repetiu o que ouvira naquela manhã: Sebastián dissera que Octavio sofreria um acidente e que o serviço custaria 4,5 milhões.

Sebastián tentou interrompê-la.

— Você não sabe do que está falando.

Lorena se virou para ele.

— Eu estava na sua frente quando você falou.

A partir daquele instante, a questão deixou de ser em quem Camila deveria acreditar.

Ela tinha diante de si três pessoas que haviam ouvido partes da mesma história e um homem que mudava sua versão a cada pergunta.

Mesmo assim, Sebastián tentou uma última vez.

Disse que estava desesperado por causa das dívidas, que pessoas perigosas o pressionavam e que jamais permitiria que algo realmente acontecesse com Octavio.

Camila percebeu a contradição antes que ele terminasse.

— Então havia alguma coisa planejada.

Sebastián fechou os olhos.

— Eu só precisava de tempo.

— Três meses?

Ele não respondeu.

Essa ausência de resposta foi suficiente.

Camila tirou o anel do dedo.

Não o jogou no chão nem fez um discurso diante dos convidados.

Apenas colocou a peça sobre a mesa onde o buquê estava.

— Não vai haver casamento.

Sebastián tentou segurar sua mão.

Ela afastou o braço.

Julián deu um passo à frente, mas Octavio fez um gesto para que permanecesse onde estava.

Camila não precisava ser retirada daquela conversa por ninguém.

— Saia — disse ela.

Sebastián começou a insistir que poderiam resolver tudo, que cancelar a cerimônia destruiria sua reputação e que as dívidas tornariam a situação ainda mais perigosa.

Camila repetiu apenas uma vez.

— Saia.

Dessa vez ele obedeceu.

Pouco depois, os convidados receberam a informação de que a cerimônia havia sido cancelada por uma questão familiar grave e que não haveria explicações naquele momento.

Camila recusou a ideia de transformar o que tinha acabado de descobrir em um espetáculo diante de mais de 200 pessoas.

Ela passou por uma porta lateral com o pai, enquanto Julián permanecia alguns passos atrás.

Lorena saiu por outro caminho com a filha.

Não houve aplausos, confrontos diante da multidão nem sensação de vitória.

Havia apenas quatro adultos tentando compreender o tamanho das consequências deixadas pelas escolhas de Sebastián.

Nas horas seguintes, Camila descobriu que cancelar um casamento podia ser mais simples do que cancelar o futuro que ela havia imaginado durante quase 1 ano.

Presentes precisavam ser devolvidos, pessoas queriam explicações e mensagens chegavam sem parar ao celular.

Sebastián também ligou repetidas vezes.

Camila não respondeu.

Quando ele passou a enviar mensagens dizendo que precisava explicar a dívida e que tudo poderia ser resolvido se ela conversasse com ele sozinha, ela encerrou o contato.

Octavio, por sua vez, não ignorou a ameaça que havia ouvido.

Ele, Julián e Lorena relataram o que sabiam às autoridades competentes, incluindo a conversa sobre o suposto acidente, o prazo de três meses e o valor de 4,5 milhões mencionado por Sebastián.

Ninguém prometeu a Octavio um resultado imediato, e ele também não fingiu que algumas declarações bastariam para encerrar um assunto daquela gravidade.

Por orientação de segurança, passou a evitar rotinas previsíveis durante algum tempo e deixou claro para Camila que Sebastián não deveria receber qualquer informação sobre seus deslocamentos.

O nome Baltazar Córdova permaneceu exatamente onde havia surgido: dentro das palavras de Sebastián.

Octavio não tentou procurar o homem nem transformar uma ameaça que já era séria em outra investigação conduzida por conta própria.

Camila também confirmou que nunca havia dado a Sebastián qualquer autorização formal para movimentar o patrimônio da família e que não assinaria empréstimos, vendas ou transferências ligados a ele.

O plano que dependia da confiança dela havia perdido sua principal porta de entrada antes mesmo do casamento acontecer.

Nos dias seguintes, porém, essa constatação não trouxe alívio imediato.

Camila alternava raiva, vergonha e uma espécie de luto por alguém que continuava vivo, mas nunca havia existido da maneira como ela acreditava.

Em alguns momentos, culpava-se por não ter percebido nada.

Em outros, lembrava-se das mensagens carinhosas, dos planos feitos juntos e da facilidade com que Sebastián conseguia parecer exatamente o homem que ela queria ao lado.

Octavio evitou dizer que havia desconfiado dele desde o início, porque isso não era verdade.

Ele também havia acreditado.

Essa admissão foi uma das primeiras coisas que permitiram que pai e filha conversassem sem transformar a dor em culpa.

— Eu estava debaixo daquele cobertor pensando que talvez Julián tivesse entendido tudo errado — contou Octavio alguns dias depois. — Eu senti vergonha de estar espionando o homem com quem você ia se casar.

Camila ficou surpresa.

Talvez imaginasse que o pai tivesse entrado no carro convencido de que encontraria um criminoso.

Saber que Octavio também havia desejado estar errado tornou a lembrança menos humilhante para ela.

— Eu quase casei com ele — disse.

— Mas não casou.

Octavio não acrescentou nada.

Pela primeira vez desde o casamento cancelado, Camila conseguiu ficar alguns minutos em silêncio ao lado dele sem precisar defender uma decisão passada ou explicar uma emoção presente.

Lorena entrou em contato uma semana depois.

Ela não pediu dinheiro nem tentou criar uma amizade entre as duas mulheres.

Queria apenas informar que havia decidido se afastar de Sebastián e que estava disposta a sustentar formalmente aquilo que havia ouvido na manhã do casamento.

Camila respondeu de maneira breve.

Agradeceu por ela ter aparecido na chácara.

Não disse que estava tudo perdoado, porque não estava.

Lorena havia sabido da existência de outra mulher antes daquele dia e escolhera permanecer calada durante algum tempo.

Mas Camila também compreendia que Lorena fora quem atravessara a porta no momento em que continuar escondida teria sido mais fácil.

As duas não precisavam transformar aquilo em amizade para reconhecer o peso daquela escolha.

Quanto a Julián, Octavio tentou agradecê-lo várias vezes.

O motorista sempre encerrava o assunto do mesmo jeito.

— Eu fiz o que prometi à dona Elena.

Mas Octavio começou a entender que a promessa de Elena não pertencia apenas a Julián.

Durante anos, ele havia interpretado cuidar de Camila como garantir conforto, segurança financeira e proteção contra qualquer pessoa que tentasse machucá-la.

Naquela manhã, cuidar significara fazer algo muito mais difícil: entregar à própria filha uma verdade capaz de destruir o dia que ela mais esperava e permitir que fosse ela, não ele, quem decidisse o que fazer com essa verdade.

Quase dois meses depois, Octavio entrou no carro para uma reunião e viu o mesmo cobertor escuro dobrado no banco traseiro.

Ele o pegou e perguntou a Julián por que ainda estava ali.

— Sempre esteve no carro — respondeu o motorista. — Só voltou a ser um cobertor.

Naquela tarde, Camila também entrou no veículo para acompanhar o pai até um compromisso e, sentindo frio por causa do ar-condicionado, puxou o cobertor sobre as pernas sem pensar duas vezes.

Ela começou a falar sobre trabalho, sobre algumas mudanças que queria fazer na própria rotina e sobre uma viagem que talvez realizasse meses depois, sem mencionar Sebastián nem o casamento interrompido.

Octavio observou a filha por alguns segundos e depois desviou os olhos para a janela.

O tecido sob o qual ele ouvira um homem calcular sua morte agora estava apenas sobre os joelhos de Camila enquanto ela organizava os planos de uma vida que voltava, pouco a pouco, a pertencer a ela.

Na frente, Julián continuou dirigindo.

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