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Ela Achava Que Seu Plantão Tornava Qualquer Amor Impossível — Até Diego-naomi

Valeria enxugou o rosto depressa, como se até aquelas lágrimas exigissem um pedido de desculpas, mas Diego segurou a mão dela antes que as palavras saíssem.

— Não fala que sente muito.

Ela soltou uma risada curta, ainda chorando.

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— Eu ia falar exatamente isso.

— Eu sei.

Por alguns segundos, ficaram dentro da caminhonete estacionada, com o motor desligado e as luzes do prédio refletidas no para-brisa, enquanto Valeria tentava entender como alguém podia simplesmente ouvi-la sem transformar seu trabalho em uma acusação.

Então ela perguntou algo que parecia muito mais difícil do que contar sobre Ricardo.

— E se um dia você cansar?

Diego não respondeu rápido, porque não queria oferecer uma promessa bonita que nenhum dos dois conseguiria cumprir.

— Talvez eu canse de esperar em algum dia, assim como você pode cansar quando eu passar dez horas resolvendo uma instalação que deveria levar quatro, mas isso é diferente de cansar de você.

Valeria apertou os dedos dele.

— Ninguém nunca separou essas duas coisas para mim.

— Então começa a separar agora.

Foi ela quem se inclinou primeiro.

O beijo não teve música, cenário perfeito nem qualquer coisa parecida com os encontros que Valeria costumava imaginar quando era mais nova; aconteceu dentro de uma caminhonete com uma caixa de ferramentas atrás dos bancos e o crachá do hospital ainda preso ao uniforme dela.

Quando se afastou, Valeria respirou fundo.

— Eu tenho plantão amanhã às sete.

Diego sorriu.

— E eu tenho uma instalação às seis e meia.

— Somos péssimos nisso.

— Talvez sejamos péssimos em encontros normais.

Ele apertou a mão dela outra vez.

— Não significa que sejamos ruins nisso aqui.

Nas semanas seguintes, eles pararam de fingir que aquela relação funcionaria como as outras.

Diego não esperava mensagens constantes durante os plantões, e Valeria não interpretava cada serviço de emergência como prova de que estava sendo colocada em segundo lugar.

Quando conseguiam jantar juntos, jantavam.

Quando não conseguiam, mandavam uma foto do café, da marmita ou de qualquer coisa que estivessem comendo e chamavam aquilo de encontro à distância.

Certa madrugada, Valeria saiu do hospital pouco depois das duas, encontrou Diego dormindo dentro da caminhonete e bateu de leve no vidro.

Ele acordou assustado.

— Você ficou aqui me esperando?

— Eu estava trabalhando a três quarteirões daqui e pensei que conseguiria te ver por dez minutos.

— E dormiu.

— Detalhe técnico.

Ela entrou no veículo e dividiu com ele um pacote de biscoitos que havia comprado numa máquina do hospital.

Ficaram juntos apenas quinze minutos antes de Diego precisar ir embora.

Para Valeria, aqueles quinze minutos significaram mais do que vários jantares elaborados que tivera no passado, porque ninguém estava contabilizando quanto ela devia em troca.

Mesmo assim, alguns hábitos demoravam mais para desaparecer.

Quando demorava três horas para responder, ela ainda começava a mensagem com “desculpa”.

Quando precisava trocar um encontro por um plantão, sua primeira reação ainda era explicar demais.

E quando Diego respondia apenas “tudo bem, depois a gente se vê”, Valeria às vezes relia a mensagem procurando uma irritação escondida que não estava ali.

Diego percebeu isso numa terça-feira em que tinham combinado um café depois do expediente dela.

Pouco antes das seis da manhã, Valeria avisou que uma colega passara mal e ela precisaria ficar mais duas horas.

Mandou quatro mensagens seguidas explicando a situação e terminou com:

“Se você estiver bravo, eu entendo.”

Diego estava sentado numa padaria simples, diante de duas xícaras de café e dois pães que começavam a esfriar.

Por um instante, ficou frustrado.

Ele tinha acordado mais cedo, reorganizado o primeiro serviço do dia e dirigido até ali porque queria vê-la.

Mas também percebeu algo que nunca admitira quando sua ex-namorada reclamava de sua própria rotina: compreender a razão de uma ausência não fazia a frustração desaparecer.

A diferença estava no que alguém fazia com aquela frustração.

Ele pegou o celular.

“Não estou bravo com você. Estou chateado porque queria te ver. São coisas diferentes.”

Valeria demorou alguns minutos para responder.

“Você pode falar isso?”

Diego quase riu.

“Acabei de falar.”

Ela enviou uma carinha sorrindo.

Depois escreveu:

“Obrigada por não fingir que nunca se incomoda.”

Foi nesse momento que Diego percebeu que proteger Valeria de qualquer desconforto não seria mais saudável do que culpá-la por tudo.

Eles precisavam aprender a dizer quando alguma coisa doía sem transformar aquela dor numa ameaça de abandono.

Durante algum tempo, conseguiram.

Então a vida apertou dos dois lados ao mesmo tempo.

A empresa de Diego recebeu o maior contrato desde que ele começara o negócio, uma sequência de instalações que garantiria trabalho estável para a equipe durante vários meses, mas exigiria prazos mais apertados e jornadas mais longas no início.

Na mesma semana, o pronto-socorro onde Valeria trabalhava começou a enfrentar uma escala especialmente difícil por causa de afastamentos e férias já programadas.

De repente, os vinte minutos na caminhonete viraram dez.

Os cafés de madrugada desapareceram.

Houve uma semana inteira em que eles se viram apenas uma vez, por menos de meia hora.

Valeria voltou a pedir desculpas.

Diego voltou a responder que estava tudo bem.

Só que, dessa vez, nem sempre estava.

Numa sexta-feira, ele conseguiu terminar o serviço mais cedo e comprou comida para os dois, imaginando que poderiam jantar no apartamento dela quando o plantão acabasse.

Às nove e vinte, Valeria avisou que ficaria além do horário.

Diego guardou a comida na geladeira dela usando a chave que ela lhe dera semanas antes e foi embora.

À meia-noite, ela encontrou os recipientes organizados e um bilhete pequeno sobre a bancada:

“Come antes de dormir.”

Valeria ligou imediatamente.

— Você ficou bravo?

Diego olhou para o teto do próprio quarto.

— Fiquei decepcionado porque queria jantar com você.

Ela ficou em silêncio.

— Diego…

— Mas não estou decepcionado com você.

Valeria respirou do outro lado.

— Eu ainda não sei fazer essa diferença direito.

— Eu também estou aprendendo.

A frase era verdadeira.

Dois dias depois, foi a vez de Diego falhar.

Valeria tinha uma rara manhã livre e eles combinaram tomar café juntos às nove.

Às sete e quinze, um dos funcionários de Diego telefonou porque uma instalação apresentara problema antes da entrega e ninguém conseguia identificar a origem.

Diego disse a si mesmo que resolveria rápido.

Às oito e meia, ainda estava no serviço.

Às nove, mandou uma mensagem para Valeria.

“Estou preso aqui. Desculpa.”

Ela respondeu apenas:

“Tudo bem.”

Diego conhecia aquela resposta porque já a havia usado muitas vezes quando queria evitar uma discussão.

Chegou ao apartamento dela perto das onze.

Valeria estava sentada no sofá, ainda de pijama, com duas canecas sobre a mesa.

— Você esperou?

— Esperei.

— Por que não comeu?

— Porque eu queria tomar café com você.

A resposta atingiu Diego imediatamente.

Ele se sentou diante dela.

— Eu devia ter avisado antes.

— Devia.

Não havia agressividade na voz dela, e talvez por isso ele ouvisse melhor.

— Eu fiquei pensando que era exatamente assim que Ricardo começava — disse Valeria. — Primeiro era uma frustração. Depois, cada vez que eu trabalhava, parecia que eu estava escolhendo o hospital contra ele.

Diego franziu a testa.

— Você acha que estou fazendo isso?

— Não.

Ela olhou para as duas canecas.

— Acho que estou com medo de que um dia você faça.

Diego passou as mãos pelo rosto.

— E eu estou com medo de dizer que senti sua falta e você ouvir como se eu estivesse mandando você escolher entre mim e o trabalho.

Pela primeira vez, o problema deixou de ser apenas o horário de Valeria.

Os dois tinham construído vidas que podiam engolir qualquer espaço vazio, e amar alguém não criava automaticamente mais horas no dia.

Precisariam abrir esse espaço de propósito.

Foi Valeria quem teve a primeira ideia.

Pegou um calendário simples que mantinha preso na lateral da geladeira e colocou sobre a mesa.

— Sem promessas impossíveis — disse ela. — Uma coisa que seja nossa por semana, mesmo que dure meia hora.

Diego apontou para o calendário.

— E se aparecer emergência?

— A gente remarca.

— Sem pedir desculpas vinte vezes?

Ela fez uma careta.

— Você está querendo demais.

Ele riu.

— Uma vez.

— Duas.

— Fechado.

Parecia pequeno, mas funcionou melhor do que qualquer tentativa de esperar pela noite perfeita que nunca chegava.

Algumas semanas era um almoço às três da tarde.

Em outras, um café às seis da manhã.

Uma vez, foi simplesmente meia hora sentados no chão do apartamento de Diego comendo sanduíches porque ele ainda não tinha montado a mesa nova.

O calendário virou uma espécie de território compartilhado entre duas rotinas imprevisíveis.

Mas o teste mais difícil veio alguns meses depois.

Valeria chegou ao apartamento de Diego depois de um plantão e deixou a bolsa sobre uma cadeira sem tirar o casaco.

Ele percebeu imediatamente que havia alguma coisa errada.

— O que aconteceu?

Ela tirou uma folha dobrada da bolsa.

— Estão procurando alguém para uma função com horários mais regulares em outro setor.

Diego olhou para ela.

— Você quer mudar?

Valeria demorou para responder.

— Eu não sei.

— Você gosta do pronto-socorro.

— Gosto.

— Então por que está pensando nisso?

Ela abriu a folha, embora não precisasse lê-la.

— Porque talvez seja mais fácil.

— Para você?

Valeria não respondeu.

Diego entendeu.

— Para nós.

Ela desviou o olhar.

— Eu não quero esperar até você cansar.

Aquela frase levou Diego diretamente de volta à noite na caminhonete, quando ela perguntara se era complicada demais para ter alguém.

Só que agora o medo estava prestes a alterar uma escolha concreta da vida dela.

Ele pegou a folha, leu por alguns segundos e a colocou novamente sobre a mesa.

— Se você quiser essa função porque está cansada do pronto-socorro, eu vou te apoiar.

Valeria ficou imóvel.

— Mas se estiver pensando em sair porque acredita que precisa se tornar mais conveniente para mim, então nós temos um problema.

— Eu só quero dar uma chance para isso funcionar.

— Eu também.

Diego apontou para si mesmo.

— Mas olha para mim. Nas últimas semanas fui eu quem cancelou duas vezes porque o trabalho atrasou. Você não está tentando me convencer a vender a empresa e procurar um emprego das oito às cinco.

Valeria baixou os olhos.

— Não seria justo.

— Exatamente.

Ela sentou devagar.

— E se o nosso jeito de viver simplesmente for difícil demais?

Diego puxou outra cadeira.

— Então a gente muda o que puder mudar sem pedir para o outro deixar de ser quem é.

Valeria passou o polegar pela borda da folha.

— Isso parece bonito quando você fala.

— Não precisa ser bonito. Precisa ser prático.

Na manhã seguinte, Diego chegou à empresa mais cedo e fez algo que vinha adiando havia meses.

Chamou um dos funcionários mais antigos, que já resolvia boa parte dos problemas quando Diego não estava, e reorganizou as responsabilidades dos serviços de emergência.

Não abandonou a empresa, não reduziu a equipe nem passou a trabalhar pouco de uma hora para outra.

Apenas parou de agir como se cada problema precisasse obrigatoriamente terminar em suas mãos.

A mudança custou dinheiro, exigiu confiança e, nas primeiras semanas, fez Diego verificar o celular mais vezes do que gostaria de admitir.

Mas também revelou uma verdade desconfortável: algumas das jornadas intermináveis que ele considerava inevitáveis eram consequência de uma empresa que ainda funcionava como se tivesse apenas três funcionários e uma caminhonete velha.

Valeria fez uma escolha diferente.

Depois de conversar sobre a nova função, percebeu que não queria deixar o pronto-socorro naquele momento.

Não porque precisava provar dedicação, mas porque ainda sentia que aquele era o lugar onde queria trabalhar.

Guardou a folha numa gaveta sem dramatizar a decisão.

Naquela noite, contou a Diego.

— Vou ficar.

— Tem certeza?

— Tenho.

Ela respirou fundo.

— E estou tentando não dizer “desculpa”.

Diego sorriu.

— Está indo bem.

— Obrigada.

O calendário continuou na geladeira.

Havia semanas em que conseguiam cumprir exatamente o que haviam marcado.

Havia outras em que uma emergência de Valeria ou um problema na empresa de Diego riscava o plano inteiro e obrigava os dois a encontrar outro horário.

A diferença era que nenhum cancelamento funcionava mais como um julgamento sobre o relacionamento.

Quando Valeria estava cansada, dizia que estava cansada.

Quando Diego sentia falta dela, dizia que sentia.

Quando algum dos dois ficava frustrado, não fingia indiferença para parecer mais compreensivo.

E aos poucos Valeria parou de começar cada explicação com um pedido de desculpas.

Diego percebeu a mudança numa noite qualquer.

Ela tinha combinado passar em sua casa depois do plantão, mas telefonou às dez e meia.

— Vou ficar mais duas horas.

Diego esperou automaticamente o resto.

Ele não veio.

— Certo — respondeu. — Quer que eu guarde comida?

— Quero.

— Alguma coisa específica?

— Qualquer coisa que ainda esteja comestível quando eu chegar.

— Exigente.

Ela riu.

Antes de desligar, Valeria ficou um segundo em silêncio.

— Diego?

— Oi?

— Eu quase pedi desculpas.

— Eu percebi.

— Acho que estou melhorando.

Ele olhou para o calendário preso na geladeira, cheio de horários riscados e remarcados.

— Eu também.

Quase um ano depois do primeiro encontro, Diego sugeriu que voltassem à mesma lanchonete numa sexta-feira.

Valeria verificou a escala antes de aceitar.

— Saio às oito.

— Então marco oito e meia.

— Coloca nove.

— Experiência adquirida?

— Sobrevivência.

Diego chegou pouco antes das nove usando uma camisa azul que Valeria reconheceria imediatamente, embora ele não tivesse planejado aquela coincidência.

Sentou-se praticamente no mesmo lugar do primeiro encontro e pediu água enquanto esperava.

Às nove e cinco, o celular vibrou.

Era uma mensagem de Valeria.

“Chegou um caso complicado. Ainda não sei quando vou conseguir sair.”

Diego leu duas vezes.

Um ano antes, recebera quase a mesma mensagem de uma mulher que ainda acreditava precisar pedir permissão para fazer o próprio trabalho.

Ele digitou:

“Fica com seu paciente. Eu cuido da mesa.”

A resposta veio poucos segundos depois.

“Você percebeu que já me mandou isso antes?”

“Funcionou da primeira vez.”

Diego pediu comida.

Às nove e quarenta, Valeria ainda não aparecera.

Às dez e vinte, também não.

Quando os funcionários começaram a organizar parte das mesas vazias, Diego pediu que colocassem a comida restante para viagem.

Não porque estivesse irritado, nem porque pretendesse transformar a espera numa prova de amor.

Simplesmente percebeu que aquela noite não aconteceria como planejado.

Ele levou a comida para a caminhonete e estacionou perto do hospital.

Pouco depois das onze, enviou outra mensagem.

“Vou deixar sua comida aqui quando você puder sair. Sem pressa.”

Valeria apareceu quase meia-noite.

Estava com o uniforme azul-claro amarrotado, o cabelo preso de qualquer jeito e uma mancha escura de café perto da manga.

Quando abriu a porta da caminhonete, Diego começou a rir.

— O quê?

— Nada.

Ela olhou para a própria roupa.

Então entendeu.

— Não acredito.

— Quase igual.

— Eu ainda estou de uniforme.

— Estou vendo.

Valeria entrou e encontrou uma garrafa de água no suporte entre os bancos e a comida guardada ao lado.

Ficou olhando para os dois objetos por alguns segundos.

Na primeira noite em que se conheceram, Diego havia puxado uma cadeira, colocado água diante dela e dito que não precisava pedir desculpas por chegar direto do hospital.

Agora, quase um ano depois, ela havia feito exatamente a mesma coisa.

Só que não havia pedido desculpas.

Diego percebeu antes dela.

— Você não falou.

Valeria franziu a testa.

— O quê?

— “Desculpa.”

Ela abriu a boca, surpresa, e depois encostou a cabeça no banco.

— Nossa.

Diego entregou a água.

— Parece que funcionou.

Valeria segurou a garrafa, mas não bebeu imediatamente.

— Não foi porque deixei de me importar quando você espera.

— Eu sei.

— E não é porque o meu trabalho ficou mais fácil.

— Também sei.

Ela olhou para ele.

— É porque eu finalmente acredito que uma noite ruim não significa que você vai embora.

Diego ficou quieto.

Durante muito tempo, Valeria acreditara que precisava chegar no horário, responder depressa, parecer descansada e estar disponível para merecer que alguém permanecesse.

Diego, por sua vez, passara anos acreditando que trabalhar até resolver tudo sozinho era simplesmente a responsabilidade de quem havia construído uma empresa.

Nenhum dos dois abandonara o que amava.

O pronto-socorro continuava imprevisível.

A empresa continuava recebendo telefonemas fora de hora.

Ainda existiam cafés cancelados, mensagens respondidas tarde e noites em que um deles adormecia antes de conseguir dizer boa-noite.

O que mudara era a maneira como interpretavam essas coisas.

Valeria abriu a embalagem e comeu duas garfadas em silêncio.

— Está frio.

— Eu esperei quase três horas. Existem limites para o meu talento.

Ela riu.

— Mesmo assim, quero continuar com o encontro.

Diego a encarou por um segundo, reconhecendo a frase que havia definido aquela primeira noite sem que nenhum dos dois soubesse.

Então ligou a luz interna da caminhonete, abriu a própria embalagem e colocou-a entre os dois.

— Então continua.

E naquela sexta-feira, dentro da mesma caminhonete onde Valeria um dia confessara ter medo de ser complicada demais para alguém, eles terminaram um jantar frio perto da meia-noite enquanto ela ainda usava o uniforme do trabalho.

Dessa vez, porém, Valeria não tentou explicar por que chegara daquele jeito.

Não pediu desculpas pela roupa, pelo horário ou pelo cansaço.

Apenas ficou.

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